maro 10th, 2010
O Sofá está viajando
9:50 Qualquer Sofá iniciou semana passada a Viagem Teatral Sesi, confira as cidades que ele vai passar, e o lindos comentário por onde já passou!
9:50 Qualquer Sofá é um experimento de narrativa, uma espécie de poema teatral coreográfico, com um olhar divertido sobre os fait divers que rompem nosso cotidiano. Utilizando um sofá branco e folhas de papel, 4 mulheres narram, dançam e criam imagens sobre diversos fatos reais que nos causam perplexidade, entre elas: uma mulher que é atingida por uma raio ao escovar os dentes, uma babá que coloca um bebê na máquina de secar, um cego que dirige um carro na contramão.
Por: Graziela | Categoria: 9:50 Qualquer Sofá | Tags: 9:50 Qualquer Sofá, opovoempé, teatro, Viagem Teatral Sesi |

Assisti ontem no SESI Santos ao espetáculo “Qualquer sofá”… no início a sensação passada era de desespero por ver-se tão assustadoramente retratada em cada cena… no desenrolar da peça foi ficando este misto de desespero e alívio acentuado pela frase: “Respire!” – Taquicardia, medo, angústia, vontade de mudança… e ETC… foram as sensações suscitadas em mim ali!!! Quando cheguei em casa, lembrei-me de um texto que escrevi há alguns anos atrás… um tanto quanto banal… como pode ser banal a vida… peço licença para postá-lo aqui:
“Não tenho diário. Vivo uma vida que não necessita ser escrita porque tudo é absolutamente comum. Mas hoje vou escrever. Hoje decidi ter uma história. Embora, pensando em quem vai ler esta historia, esta idéia me pareça um tanto quanto enfadonha. Por isto não espero ter muitos leitores…
Um barulho agora me incomoda. Não só o barulho dos carros, motos e sua buzinas na madrugada. Mas, dentro do meu ouvido chove. E meus olhos não vêem uma só gota, minha pele não absorve um so pingo d’água. Tem roupas no varal.
Preciso de sensatez, mas ao ouvir o deslizar do grafite no papel, vou me convencendo mais e mais de que só a loucura faz sentido.
Porque é normal ser feliz nas novelas?para as pessoas felizes não há nada mais substancial que assistir ao “Jornal Nacional” todas as noites e ao “Fantastico” todas as noites de domingo.
Quando penso que a felicidade é um pré-requisito para a normalidade, sinto que estou ficando desprovida de razão.
Não gosto de ser pessimista! Na maioria das vezes sou alegre e acredito em pessoas. Talvez este seja o meu pior defeito.
Gosto de antíteses e ironias. Mas gosto também de fábulas, contos de fadas, de flores e da chuva (exceto quando há roupas no varal).
Acho que sou uma personagem, porque toda vez que a gente escreve uma coisa, esta coisa vira realidade. É assim que as mentiras viram sonhos. E os projetos ficam no papel.
Em meio aos papéis, fotos, livros e cadernos, as lembranças se perdem. São despedaçadas junto com as traças… e a mesmo poeira que as envolve, enuveia as relações que ficam perdidas apesar de já terem sido minadas. As baratas e ratos já fizeram lá morada. E construíram já seus mundos singelos, alimentando-se da podridão dos sentimentos ali depositados, num campo de concentração, sendo aos poucos asfixiados por encontros nunca acontecidos.
Aí, surgem as dores…
…de não ter lido, não ter vivido, de não ter amado nem sofrido, não ter comido nem bebido, não ter se despido, nem sangrado”. 2003
Menina de lá
: )
“Vou vasculhar estrelas…”
Parabéns pela peça!
Heluane - Rio Claro-SP
Point do coco rs … parabéns novamente pela peça. Beijos
Muito interessante essa peça. Vi ontem aqui em Piracicaba, no sesi. Parabéns, gostei muito.
Olá! Assisti ontem, em Sorocaca, à peça e achei fantástica!! Infelizmente estava com pressa e não deixei minhas impressões no papel. Mas aqui vai o poema que a peça me fez lembrar durante a exibição:
Quem me roubou quem nunca fui e a vida?
Quem, de dentro de mim, é que a roubou?
Quem ao ser que conheço por quem sou
Me trouxe, em estratagemas de descida?
Onde me encontro nada me convida.
Onde me eu trouxe nada me chamou.
Desperto: este lugar em que me estou,
Se é abismo ou cume, onde estão vinda ou ida?
Quem, guiando por mim meus passos dados,
Entre sombras e muros quem me deu
A súbita visão dos mundos fados?
Quem sou, que assim me caminhei sem eu,
Quem são, que assim me deram aos bocados
À reunião em que acordo e não sou meu?
Fernando Pessoa
Parabéns pelo trabalho!!! Foi muito bonito (a beleza do trágico).
Muito obrigada!