Enquanto estamos criando a oportunidade para voltarmos em cartaz com o AquiDentro AquiFora, fomos indicadas para o Prêmio da Cooperativa de Teatro 2009, nas seguintes categorias:
- Trabalho apresentado em rua
- Ocupação de espaço: sala convencional, rua ou espaços não convencionais, no interior, litoral ou capital do Estado
A entrega do Prêmio está prevista para o dia 8 de fevereiro de 2010, às 21h, no Espaço Parlapatões.
Montagens complementares que acontecem na rua e dentro de teatro ressaltam papel do público como colaborador ativo
LUIZ FERNANDO RAMOS CRÍTICO DA FOLHA
O espectador é imprescindível ao teatro. Os espetáculos “AQUIDENTRO” e “AQUIFORA”, do grupo OPOVOEMPÉ, pretendem ampliar essa condição do público de participante necessário à de colaborador ativo. Cada uma das duas encenações tem seus procedimentos próprios, mas ambas aspiram mobilizar a percepção dos espectadores sobre as dores de si e do mundo, sem para isso servirem-se de uma narrativa fechada para afetá-los e pressupondo que, idealmente, eles se tornem coautores das obras.
“AQUIFORA” transcorre nas ruas do centro de São Paulo. No início, as cinco atrizes distribuem capas amarelas e aparelhos de som a cada um dos espectadores. Com isso, eles passam a ser legítimos atuadores, pois andam em bloco, uniformizados, ouvindo a mesma trilha sonora e concentrando-se nos mesmos pontos, a mirarem juntos os cenários circundantes da cidade degradada.
O que eles ouvem são depoimentos de pessoas comuns, trechos de ficção literária e um discurso mais jornalístico, cuja descrição coincide com os lugares por onde se vai passando. As atrizes alternam momentos em que simplesmente guiam os espectadores -indicando quando devem parar, andar ou atentarem a algo- com outros em que propriamente atuam, ampliando a cena que se oferece aos passantes surpreendidos.
“AQUIDENTRO” ocorre em um teatro. De algum modo, tudo que foi ouvido e visto fragmentariamente na rua reaparece mais organizado enquanto tema. Agora os aventais de enfermeiras e as caixas de remédio apontam para o mal-estar da civilização. Ainda há a recusa a uma narrativa convencional e toda a ação que vai sendo tecida ocorre a partir da fricção entre as atrizes e os espectadores, vinculados por um diálogo inacabado de perguntas e interjeições lacônicas que não chegam a ser respondidas.
É bela a maneira sutil como essa dramaturgia se articula, à base de sorrisos e esgares, na relação olho no olho entre atuantes e assistentes, aqui confundidos como geradores da ação em curso.
Por outro lado, logo se explicita um discurso afirmativo, que no espetáculo da rua era menos notável, e que vai distanciar os assistentes da parceria que vinha sendo costurada.
Afinal, há uma assimetria entre as atrizes propositoras, que formulam o roteiro e direcionam sua leitura, e os receptores que, chamados a uma tomada de consciência, regridem à condição de público alvo.
A intenção de mobilizar consciências é habitual no teatro. O que é novo e interessante no trabalho do OPOVOEMPÉ é a forma dramática aberta com que faz isso, sustentada no desempenho de risco das atrizes e na imprevisibilidade do público. Já a postura missionária, implícita nessa experiência do grupo, é datada e ameaça os seus propósitos libertários. Entre esses dois caminhos possíveis, fica a boa expectativa de novas explorações.
Publicado em 24 de setembro de 2009 no jornal Folha de São Paulo.
Em Aqui Dentro Aqui Fora, perguntamos em algum momento “os dias existem sem calendário?”. Nestes últimos dias, estivemos desafiando a existência deles. Quando olhamos para trás, vemos que fizemos tanta coisa que o tempo se dilatou. Foram 45 dias que parecem anos pela quantidade númerica de eventos, mas, sobretudo, pela inteireza, emoção e intensidade de cada uma de nós, de nossa equipe, amigos e apoiadores- todos trabalhando muito para que tudo acontecesse.
Estamos felizes e acreditamos muito que este trabalho pode fazer alguma diferença.
Só por curiosidade nosso cronograma:
22 de julho- Estréia da versão em 4 línguas de Aqui Dentro Aqui Fora no Konsertsaal deis Freien Musikezentrum, Munique, Alemanha. Chamou-se Aqui Dentro Enquanto Caem as Geleiras
21 a 25 de julho - ocupação do Lothringer 13, em Munique com conversas, mostra de vídeo e oficina.
24 de julho- A intervanção Out of Key(s) na Pariser Platz, Munique.
25 de julho- A intervenção Wasser, criada com os participantes da oficina, realizada na estação de metrô Ostbanhoff em Munique.
04 a 28 de agosto - Reestréia e temporada de 9:50 Qualquer Sofá no TUSP , São Paulo. (com Cristiane assumindo o papel de Paula Possani).
07 de agosto- Retomada dos ensaios de Aqui Dentro Aqui Fora.
01 de setembro- estréia da intervenção-percurso de Aqui Dentro Aqui Fora, saindo da Galeria Olido, todas as terças e quartas ás 16h00 em setembro.
01 de setembro- início da coordenação das jams de improvisação no Centro Cultural São Paulo. Sempres às terças, 12h00, durante o mês de setembro.
03 de setembro- estréia do espetáculo em sala de Aqui Dentro Aqui Fora, no TUSP, Temporada quintas e sextas, ás 21h30 durante o mês d e setembro.